Termopar ou PT100: diferenças e critérios para escolher o sensor de temperatura
Publicado em 05/10/2026

Temperatura é, de longe, a variável mais medida na indústria, e dois sensores dividem a maior parte dessas aplicações: o termopar e a termorresistência PT100. Os dois entregam um número em graus, mas chegam a ele por caminhos físicos diferentes, e é justamente aí que está a diferença entre termopar e PT100 que orienta a escolha.
Como funciona o termopar
O termopar é formado por dois fios de metais diferentes unidos em uma ponta, chamada junta quente ou junta de medição. Quando essa junta está em uma temperatura diferente da outra extremidade, a junta fria ou de referência, surge uma pequena tensão elétrica, da ordem de microvolts por grau. Esse fenômeno é conhecido como efeito Seebeck.
Como a tensão depende da diferença entre as duas juntas, o instrumento que recebe o sinal precisa conhecer a temperatura da junta fria e compensá-la. Transmissores e cartões de entrada de CLP fazem isso automaticamente.
Os termopares são identificados por letras que indicam a combinação de metais. Os tipos J e K são os mais comuns em aplicações gerais; os tipos R, S e B, feitos com platina e ródio, atendem temperaturas muito altas, como em fornos e na siderurgia. Cada tipo tem sua curva de tensão por temperatura e sua faixa recomendada.
Como funciona o PT100
A termorresistência se baseia em outro princípio: a resistência elétrica de um metal aumenta com a temperatura de forma previsível. No PT100, o metal é a platina, e o número indica a resistência nominal de 100 ohms a 0 °C. O instrumento injeta uma pequena corrente, mede a resistência e a converte em temperatura.
Por medir resistência, e não tensão gerada, o PT100 não precisa de compensação de junta fria. Em compensação, a resistência dos próprios fios de ligação entra na medição, o que leva à questão do número de fios:
- Dois fios: a resistência do cabo soma-se à do sensor e gera erro, aceitável apenas em distâncias curtas.
- Três fios: o instrumento compensa a resistência do cabo, desde que os condutores sejam iguais. É a ligação mais usada na indústria.
- Quatro fios: elimina praticamente o efeito do cabo e é a escolha em laboratórios e medições de alta exatidão.
Faixa, precisão e resposta
Na comparação direta, cada tecnologia tem seu ponto forte.
- Faixa de temperatura: termopares alcançam temperaturas bem mais altas, passando de mil graus em alguns tipos. O PT100 atende com folga a maioria dos processos até algumas centenas de graus.
- Exatidão e estabilidade: o PT100 costuma oferecer medição mais exata, repetitiva e estável ao longo do tempo. Termopares tendem a sofrer deriva com o uso em altas temperaturas.
- Tempo de resposta: termopares de fio fino e junta exposta respondem muito rápido. Termorresistências, por terem elemento sensor maior, geralmente são mais lentas.
- Robustez mecânica: termopares suportam bem vibração e choques; alguns elementos de PT100 são mais sensíveis.
- Custo: termopares comuns tendem a ser mais baratos; sensores de platina e termopares de metais nobres custam mais.
Critérios para decidir
Uma forma prática de escolher é responder a algumas perguntas antes de consultar catálogos:
- Qual a temperatura máxima do processo, inclusive em picos?
- Qual a exatidão necessária para a decisão que depende dessa medida?
- A variação de temperatura é rápida ou lenta?
- Há vibração, choque ou atmosfera agressiva?
- Qual a distância até o instrumento e que tipo de cabo pode ser usado?
Em linhas gerais, processos com temperaturas moderadas e exigência de exatidão, como alimentos, farmacêutica e controle de fluidos térmicos, favorecem o PT100. Fornos, caldeiras, gases de combustão e metais fundidos pedem termopar.
Instalação e ligação: onde surgem os erros
Com termopar, o erro mais comum está no cabo. A ligação entre o sensor e o instrumento deve usar cabo de extensão ou de compensação do mesmo tipo do termopar e respeitar a polaridade. Um trecho de cabo de cobre comum no meio do caminho cria novas junções e distorce a leitura.
Com PT100, o cuidado está no número de fios e na qualidade das conexões: bornes oxidados ou mal apertados somam resistência e aparecem como aumento de temperatura.
Nos dois casos, o sensor deve ficar imerso o suficiente no processo, normalmente dentro de um poço termométrico, para que a haste não conduza calor do ambiente e falseie a medição.
Perguntas e respostas
Posso trocar um termopar por um PT100 sem mudar o instrumento? Não sem reconfigurar ou substituir a entrada. O termopar gera tensão e o PT100 exige medição de resistência, então o transmissor ou o cartão do controlador precisa estar configurado para o tipo de sensor instalado.
Por que a leitura do termopar muda quando o painel esquenta? Geralmente é problema de compensação da junta fria ou de cabo inadequado. Se a referência de temperatura do instrumento não acompanha as condições reais dos bornes, o erro aparece na leitura.
PT100 com três fios é suficiente para a maioria das aplicações? Sim. A ligação a três fios compensa a resistência do cabo e atende bem a maior parte dos processos industriais. Quatro fios ficam reservados a medições de maior exatidão.